História do Casarão

São Paulo, nas últimas décadas do século XIX, passou por profundas transformações impulsionadas pela expansão da economia cafeeira e pelo afluxo do capital internacional.

Surgia em sua sociedade uma incipiente classe média formada por imigrantes europeus, ao mesmo tempo em que tradicionais famílias do interior transferiam-se para a capital, o que tornava São Paulo o núcleo urbano mais efervescente do país.

A arquitetura da cidade refletiu essas mudanças: os velhos casarões e sobrados construídos em taipa começaram a ser demolidos, dando lugar a edificações grandes e elegantes em cimento armado, erguidas em bairros como Liberdade e Campos Elíseos, que apenas principiavam a existir. Era o início de uma nova elite proprietária e de uma metrópole cujo gosto arquitetônico se moldava pelas tendências européias.

Francisco de Paula Ramos de Azevedo foi um dos principais artífices das mudanças dos padrões arquitetônicos adotados em São Paulo, entre os séculos XIX e XX. Formado em Engenharia e Arquitetura na Universidade de Rela, em Grand, Bélgica, em 1896 fundou seu escritório em São Paulo, transformando-se numa espécie de “construtor oficial do governo”. Projetou e executou importantes obras na cidade, como o Teatro Municipal, o Edifício dos Correios e Telégrafos, o Parque Dom Pedro a Escola Caetano de Campos e o  Mercado Municipal.

Além disso, centenas de palacetes, escolas, hospitais e cadeias saíram das pranchetas orientadas por ele. A Pinacoteca do Estado, o Palácio da Justiça e o Palácio das Indústrias também foram concebidos por seu espírito inovador.

Casarão durante o processo de restauração quase finalizado.

O casarão da Rua Pirapitingüi, número 111, construído em 1891, foi a residência de Ramos de Azevedo e de sua família por várias décadas. Em 1983, o imóvel foi doado à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, à Cruzada Pró-Infância e à Fundação Antônio Prudente.

Dois anos depois, foi tombado pelo Condephaat e pela Prefeitura, ficando desocupado até 1988, quando o Grupo Editorial Global consolidou sua aquisição e desenvolveu amplo projeto de restauração do espaço, sem contar com qualquer tipo de apoio governamental ou particular.

Em 1995, concluído um terço dessas obras, a Global assumiu sua nova sede e desde então, está instalada no casarão da Rua Pirapitingui, 111, e as obras de restauração terminaram em 2010, fazendo da sede do Grupo Editorial Global a mais bela casa editora do Brasil.